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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Sou Estagiário, e você? [Capítulo 2: A entrevista, o princípio]

Para quem não leu o primeiro capítulo, segue o link: Capítulo 1

E haviam outros candidatos, sim senhor!
Sim, começaram a se amontoar, chegou uma patricinha usando uma roupinha colada e nossa, mas nossa mesmo, ela tinha um corpo maravilhoso, bom, mas voltando, também tinham uns almofadinhas, um militante de esquerda e uma nerd tímida(parece pleonasmo, mas não é!).
Tinhamos todos estes exemplares de candidatos para a mulher ou homem da entrevista, sei lá quem era, a guria da recepção pouco de informação liberava para que eu me acalmasse.

Então, fiquei sentado ali, fingindo ter autocontrole para que eles pensassem que eu estava melhor preparado, que eu levaria aquela vaga com facilidade, mas no fim das contas, eu não tinha experiência alguma, o máximo que eu sabia era que tinha horário para entrar e sair destes lugares.
Ora, porque não conversei com alguém "ativo" antes, ativo profissionalmente, para que me desse um caminho. Não, não. Preferi a minha soberba adolescente como pilar de minha entrevista. Fiquei olhando para aqueles extraterrestes, e pensando, o que cada um era, ou o que parecia, e tentando tirar conclusões até que soltei:

- Er... e aí pessoal, todo mundo aqui é pra entrevista de estagiário ? (tentando ser simpático).

Todos responderam, meio sem graças, na verdade eles eram sem graças:

- É...

Depois de toda a indiferença da recepcionista, ainda tive que aturar a deles, eu estava inquieto, perdido em uma sala cheia de estranhos, precisava de água, sim, água, fui até o bebedouro e peguei um copo. Porque colocam esses copos plásticos em lugares tão chatos de retirar? E tem casos que o copo quebra também, ê dificuldade. Servi um pouco de água e fiquei em pé ao lado do bebedouro, ao que, por uma perda de atenção(acho que tenho problemas mentais), apertei o copo d'água e esse rachou e vazou água na minha camisa, é, aquela que a mãe incomodou para vestir. Pensei que não tinha mais o que dar errado, até que surge uma mulher no fundo da sala, saindo de uma porta atrás da recepcionista...
Era ela, a rainha de copas, a entrevistadora.

Ela veio e convocou:

- Pessoal da vaga de estagiário. São vocês? (balançamos a cabeça) -Ok. Me acompanhem.

Chegamos em uma sala maior, com algumas cadeiras, uns papéis, um círculo de cadeiras, era isso, só faltava uma fogueira, acho que para isso os papéis, sei lá, minha imaginação está aguçada.

Ela nos ordenou: - Sentem. Nós sentamos. Dei mais uma reparada na menina da calça colada(aiai!), e suspirei conformado, porque será que não haviam duas vagas?

A entrevistadora começou:

"Então, boa tarde, meu nome é Denise, e serei a responsável pelo processo de seleção de estagiário para o setor administrativo, a empresa não poderei revelar, mas é uma vaga com boas chances de crescimento..."

Ora, uma possibilidade de crescimento(mal sabia eu que esse papo era super manjado).

Prosseguiu ela:

"...o horário blablabla... blablabla... vamos começar... quais suas experiências anteriores?".

Experiências? Como assim? O que ela queria?

No próximo capítulo de "Sou Estagiário, e você?"

domingo, 30 de outubro de 2011

Sou Estagiário, e você? [Capítulo 1]


Sete da manhã. Excelente maneira de começar o dia. Acordando neste horário por causa daquela entrevista de estágio. Veja só. Estava precisando descolar uns trocados para as férias e tive a brilhante idéia de deixar um currículo naquela Agência de Recursos Humanos. O problema foi elaborar o tal currículo, imagina, preencher um documento sem a mínima experiência profissional. O jeito foi colocar aquelas palestras que dormi, os seminários que só assinei a lista de presença e os cursos que mais matei do que aprendi, mas esta foi a solução dada pelo meu professor de faculdade, logo ele, um típico nerd, daqueles que nunca trabalharam na vida e correram pros braços da faculdade para sobreviver neste mundo cruel.
Pois bem, voltando a esta bela manhã, estou sendo irônico, é claro. Afinal, fazia muito tempo que não acordava nesse horário, indo até as madrugadas com o pessoal da faculdade, pegando telefones de mulheres que não me atendiam, e contemplando a todos com pequenos incidentes típicos de um estudante desocupado, como bebedeiras, palavras de ordem ao vento e chaves perdidas nos meio-fios da cidade.
Pedi para a mãe me acordar para me arrumar, colocar aquela roupa que poucas vezes vesti e tentar me mostrar o jovem que toda a empresa quer ter, segundo a moça que me ligou, a empresa em questão é grande aqui na cidade e tem um bocado de departamentos e quer jovens arrojados e com vontade de aprender, pensei comigo mesmo, que jovem não é assim, e se tivesse algum que não fosse, este papel estava mais direcionado a mim. Vesti a camisa, a calça, os tênis, ops... sapatos, é, temos que enganar um pouco, tomei um café com uma torradinha preparada com carinho pela minha mãe. Engraçado como as mães ficam orgulhosas de um filho, até mesmo quando vão a uma entrevista de emprego isso acontece, sensação boa, me sinto pronto para entrar em uma Houston e desbravar o mundo profissional com minhas idéias que estou louco para por em prática em um lugar que não tenho a mínima noção do que faz.
Saí, subi no ônibus e desfrutei o caminho todo acompanhado pela trilha sonora de um funk de um cara que usa boné pro lado e não tem a decência de usar um fone de ouvido, que tipo de gente é essa que não respeita os outros, mesmo assim, ignorei o DJ de lotação e segui rumo a Agência, e quando estava próximo a parada, lembrei que deixei meu currículo em casa.

Pensei comigo mesmo, ora, a Agência deve ter aquele que entreguei um tempo atrás com eles.

Entrei no salão e fui até a recepcionista. Estas recepcionistas destas agências olham de maneira imponente e que transmite uma mistura de indiferença e menosprezo com quem será atendido, como se fossemos mendigos a suplicar um tostão.
Caminhei em direção a ela, e a mesma sorriu com o mais amarelo dos sorrisos e ciciou, minimizando a janela de MSN que estava papeando:

- Bom dia, no que posso ajudar?

Questionei:

- Bo-bom dia, tenho uma entrevista marcada por aqui e tive um problema no caminho, – tentando achar uma desculpa – perdi meu currículo no caminho para cá, creio que ficou no ônibus, sabe como é...

Ela, prontamente:

- Ah, é? Que currículo irresponsável esse, né?

Maldita recepcionista cínica de agência de recursos humanos, que seja amaldiçoada com as pragas do Egito. Mesmo assim, optei pela elegância e respondi:

-Hahaha... É mesmo. Mas queria saber se vocês ficam com aquele currículo que deixei por aqui um tempo atrás.

Ela levantou as sobrancelhas, respirou fundo e disparou:

- Pois é, amigo. Aquele currículo que você trouxe foi passado para o Sistema e não temos mais a versão física dele e só temos seus dados em nosso cadastro.

Sistema, ora, logo agora fui ver onde os tais computadores podem atrapalhar nossas vidas. Ali eu vi que as coisas não estavam caminhando bem e novamente questionei:

- E estes dados aííí... Você tem como imprimir para mim?

Ao que ela respondeu:

- Infelizmente estes dados são para uso apenas da Agência.

Ali estava o inicio dramático da minha entrevista. Depois desta gratificante conversa fui informado que logo seria chamado para a entrevista com os outros candidatos.

Outros candidatos ? Que candidatos ?

Aguardem o próximo capítulo de “Sou Estagiário, e você?”