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sexta-feira, 27 de março de 2015

Meu grande amigo, um velho turrão, um Amandio.

Eu achei que estava preparado para uma perda significativa em minha vida.
Achei que tinha aprendido sobre a morte com a partir de minha vó e bisavó, doces senhoras.

Mas não.
Eu não sabia que a morte podia me surpreender novamente, e que eu poderia morrer mais um pouco.

Eu tenho um amigo, talvez o meu melhor amigo, que foi um pai para mim, de enorme significado. Mas ele perdeu sua vida, e eu, um naco significativo da minha.
Era um velho turrão, sim, um velho ateu, reclamão, mas com um coração enorme, bondades inimagináveis, alguém que me ensinou muito.
Ele mostrou tanta coisa positiva que parece ser impossível descrever tudo que aprende. Foram 5 anos, sentados lado a lado, dividindo nossas vidas, problemas, cotidiano e opiniões. Brigamos, sim, muito. Mas como grandes amigos que éramos, nos perdoávamos automaticamente.
Ele começou em minha vida ensinando tudo sobre a químicas do fertilizantes, otimizações, propriedades, e sua grandiosa experiência.
Depois ensinou o que eu nunca irei deixar de valorizar, me ensinou humanidade. Logo eu, que havia saído de casa para tentar a sorte na cidade industrial, que ia tentar iniciar uma sólida carreira profissional, mas que parecia tão difícil. Eu era jovem, arrogante e pretensioso. Eu era um cara difícil e cheio de sonhos, como todo adolescente.
Ele me corrigia, me fazia andar no caminho certo, me ouvia, prestava atenção em mim, e se preocupava bastante comigo, mais do que eu achava que ele se preocupava.
Ensinou a ajudar os outros, a trabalhar em equipe, a ser responsável, e me ensinou a acreditar em meus sonhos.
Quando eu passei as maiores dificuldades de minha vida, como escolher entre ir estudar e fazer a última refeição do dia, ele me ajudou.
Quando eu quis contar a minha mãe que iria ser efetivado no duro estágio que tive, e seria recompensado, ele permitiu com que eu pagasse uma passagem a Bagé, com o dinheiro que eu não tinha, e me disse:

- Não se preocupa, daqui há um tempo tu vais ter dinheiro para me devolver e não vai nem lembrar mais disso.

Pois bem, eu lembro, e lembro de todas as lições, lembro que ele me ensinou a aturar as pessoas que falavam mal de mim pela frente, pelas costas, e me ensinou que isso é normal da vida, e vai da nossa grandeza saber lidar com isso.
Ele ensinou a aproveitar minha vida, a ir nas melhores festas, a ser um bom homem e a saber lidar com as adversidades, mesmo sendo injustas, ou não.
Ele era um grande pai, tão bom pai, que ligava até para mim para saber como eu estava, como me sentia. Ligava enganado também, pois tenho o mesmo nome de seu filho mais jovem, e por mais idiota que isso seja, me fazia sentir especial.
Eu tenho orgulho de ter feito parte de sua vida, e orgulho dele ter me chamado algumas vezes de filho, seja por brincadeira ou não.

E com toda a certeza, levo por essa vida, e até a minha morte o sobrenome que adotei graças a ele. Graças a ele, meu nome ganhou o sufixo Porciúncula de Souza.

Obrigado, Senhor Adão Amandio, o Senhor foi um Grande Amigo, um Grande Pai para mim. Te amo!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Você não gosta do seu trabalho ? Ela gosta!





Quando a inspiração para o assunto não vem, acaba acontecendo algo interessante em nossa vida e nos faz escrever. Pois bem, estava em meu MSN até que uma pessoa me adiciona, se identifica, diz sua ligação comigo através de uma pessoa e começamos a falar de sua vida. Mas que vida?

Ela faz programas, gosta disso e se diz feliz.

Eu não sei de que ponto parte a fixação por algo que muitos pensam como degradante, mas ela acaba dizendo que faz o que gosta(e o resto das mulheres) e ganha por isso e se sente realizada. Teria coisa melhor ? Você trabalhar fazendo o que gosta?

O caminho é sempre o mesmo, é o dinheiro fácil, a facilidade em usar um rosto e corpo bonito para atrair homens gulosos por uma hora, ou uma noite de prazer, e são recompensadas por seu carinho e atenção nestes momentos. Nesta hora, não cabe pensarmos no que é certo e o que é errado, e sim no que é lucrativo ou não, é uma troca, assim como sempre ocorreu na história, sexo por dinheiro para ela, e dinheiro por sexo para os homens.
O valor disso? Não preciso divulgar e nem fazer questão de saber, pois varia de mulher para mulher e de cliente para cliente, nem todo mundo é igual.

Acho justo a pessoa cobrar quando tem alguém que procura por isso, e no caso dela, a procura é satisfatória e garante o seu sustento e ajuda financeira a seus pais que não sabem nada do assunto.

Para quem pensa que essas mulheres não tem sentido no que fazem, elas tem, tem pais, tem filhos, tem pessoas que também as exploram e fazem de sua vida apenas de uso do seu corpo e sem conhecer a alma destas pessoas.

Quando perguntei sobre se apaixonar, ela não me respondeu, foi distante, talvez tenha tido alguma experiência afetiva que não traga lembranças boas, mas todas as mulheres tem sonhos, todas tem um ponto em comum, uma busca, a felicidade no amor, quem sabe? Um filho ? Isso varia de cada uma.

A história dela me interessou a partir do ponto que sempre tive uma ideologia, que independente do que as pessoas façam, trabalho é trabalho, alguém tem necessidades básicas e supérfluas, todos tem sonhos e cada um busca eles do seu jeito, ela não está errada, está trilhando seu caminho para buscar sua felicidade ou satisfação, que são coisas diferentes.

Creio que a pessoa que escolhe ou é forçada a seguir nessa vida deve ser respeitada e tratada como qualquer outra por ser um ser humano, por não ter tido a mesma sorte de uns, por ter escolhido outros caminhos para ter qualidade de vida. Quem não quer qualidade de vida, né?

Enfim, meus amigos, tentei explicar sobre algo diferente, tentei pensar, dissertar, devanear. Caso alguém tenha algo parecido para compartilhar, fique a vontade.

Abraços!